AS ROTAS DE LEITURA

O método da cartografia não é algo que se aplica, é algo que se pratica, vivendo. Para começar a construir uma cartografia é necessário viver  no território existencial escolhido, viver com o território. É exatamente esse agenciamento com o “locus” da pesquisa que possibilita que não apenas o objeto seja processual, mas que o método também o seja. Assim se constitui a cartografia,

Ao pensar sobre a necessidade de tornar processuais, objeto e método, optei em mergulhar no território existencial dos primeiros doutorandos (turma de 2010) do Programa Doutoral em Estudos Culturais das Universidades de Aveiro e Minho, em Portugal. Fui em busca de suas histórias de vida e formação. Nesses encontros onde estivemos juntos – encontro em entre-vistas – pude saborear o ouvir-contar das vidas desses doutorandos-aventureiros – 17 (dezessete) mulheres e 11 (onze) homens – considerados aqui, como herói de si mesmo. Falamos de infância, família, estudos, decisões, medos, amores, riscos, de doutorado como aventura. Assim, trocando conversas, sem horas para terminarmos; perguntando, compartilhando, rindo, calando, saboreando… Sabor – pesquisa com sabor de memória. Saber com sabor! É, foi isso sim, porque não dize-lo.

Após estar presente com cada um, em escuta sensível, me sentir comovida – movida com eles, por cada um deles. E foi por querer reservar fragmentos, lembrar situações, sufocar palavras, liberar o choro, encontrar linhas de fuga, que decidi fabular seus relatos; vasculhando-os, selecionado-os, cortando-os… Enfim, conectando-os como um rastro torto, uma silhueta, ora sombra ora perfil. E esses perfis, culturo-costurados, foi o que apresentei em tantas outras páginas desse site-mapa.  Foi a minha fabulação com vida neste ato de pesquisa. Perceptos e afectos roubados desses encontros.

O que eu queria fazer era um mapa com muitas entradas. Exatamente assim, como um documento digital disponibilizado na web, com muitas portas por onde entrar. A própria natureza do suporte escolhido, uma plataforma disponível na internet – essas, que possuidoras de hiperlinks favorecem múltiplas navegações, sem leitura linear – determinou a própria enformação, o-por-em-forma-da pesquisa: uma webcartografia.

Confesso que fiquei com medo por tanta coisa que ficou de fora dos perfis. Tantas informações… A preocupação foi tão massacrante que novas provocações me agarravam, insistentemente, a ponto de eu resolver voltar as transcrições das entrevistas, e assim, escavando os dados, por-los como rastros de um mapa, i. e., não como um decalque, cópia,  da realidade existencial vivida, mas como cartografia de fato.

Cartografia de fato? E isso existe? Será que eu não estou querendo dizer que existe um tipo de “verdadeira cartografia”? Que verdade é essa!?

Lutar contra si mesmo é muito difícil. Para atender a esse “meu desejo”, mesmo em estado de dúvida – inclusive agora, com graves questionamentos quanto as minhas epistemologias inventivas – me pus a construir rotas.

Como assim, rotas?

Sim, rotas de leituras dos mapas dos encontros!

Algo para aquém e além de mim. Para fugir da fabulação, para lá e para alí, fora e dentro dos perfis costurados a mão, entre o cortar e o colar. Havia um bloco de sensação a ser mapeado; minhas sensações a serem capturadas, respostas a serem dadas, caminhos a serem traçados, trilhas a serem iluminadas, rotas a serem definidas!

Como assim! O que estará escrito, não será um mapa aberto com entradas e saídas por todos os lados? Então, porque construir rotas, e ainda por cima, definidas?

Nada disso! Quero construir rotas para mim mesma. Pistas para encontrar minhas próprias leituras, não para dar rotas para os outros. As minhas rotas, não são rotas que querem determinar, fixar, as leituras dos leitores desse site. Mas sim, rotas para que eu, autora-pesquisadora dessa escrita, não me perca. Pesquisar não é uma aventura? Nas aventuras, às vezes, a gente se perde!

Ao fim, decidi construir algumas rotas para que eu não tivesse mínima chance de me perder entre tantos “dados”. Para que vocês, leitores, não tenham dúvidas quanto as minhas intenções ontológicas, construir, de propósito, três rotas diferentes de leituras: rota dos territórios, rota das subjetivações e rota das aventuras. E para tornar a escrita,  multiplicidade, criei subtrações territoriais, abrindo outros territórios no entre territórios: de nascimentos, de vivências e de atuações.

Se eu me transformasse  em mapa, você se transformaria em cartógrafo?                                                                                                                      

Pelos movimentos dos mapas de vossas mãos, clic agora no seu destino e  ABRA-TE às rotas que se seguem…

 

ROTAS DOS TERRITÓRIOS

ROTAS DAS SUBJETIVAÇÕES

ROTAS DAS AVENTURAS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicação digital do relatório final do estágio de pós-doutoramento em Estudos Culturais da Profª. Drª. Wlad Lima da ETDUFPA ICA UFPA junto a Universidade de Aveiro Portugal sob a supervisão da Profª. Drª. Maria Manuel Baptista. A realização dessa pesquisa cobre o período de maio de 2013 a outubro de 2014. Esse site está acoplado ao portal virtual do Programa Doutoral em Estudos Culturais das Universidades de Aveiro e Minho. Está disponível para todos os interessados, mantendo a política de copyleft de sua autora. Esse estágio teve o apoio da CAPES, através de bolsa pós-doc no exterior.