Adriana Brambilla

Eu sou Adriana Brambilla, sou apaixonada pelo que eu faço. Eu tenho suporte, por isso posso fazer o que eu quero, que é ser professora.
Quando eu tinha seis anos de idade, na escola, quando professora perguntava o que você vai ser quando crescer, eu respondia: professora. Assim foi a minha vida toda, até eu conseguir ser professora. Então, eu sou uma pessoa muito realizada, porque eu faço o que eu gosto. Eu amo estudar e amo ensinar, eu gosto mesmo, é uma paixão que eu tenho. Tenho assim um carinho imenso pelos meus alunos. Eu não sinto que é uma obrigação dar aula, é um prazer.
Nesse momento eu estou muito feliz e eu acredito que eu sou mesmo uma heroína, como você nos vê. Porque eu tive que deixar a minha vida no Brasil, deixei o meu esposo que está lá. A  pouco tempo, ele veio passar aqui alguns dias, mas é muito complicado. Eu estou com a minha filha pequena aqui. A minha mãe sempre cuidou da casa. Meu pai é formado em administração e engenharia. Como ele é o único homem, somos uma família de mulheres. A diferença de idade de uma pra outra é de mais ou menos de três anos. A minha mãe, coitada, também teve que deixar a casa dela no Brasil, deixar o meu pai, minha irmã mais nova, porque a minha irmã do meio mora aqui em Portugal. Então, assim eu me considero uma heroína, mas ao mesmo tempo como era uma coisa que eu queria fazer, e eu sei que vai contribuir muito pro meu futuro, eu estou muito feliz. Eu sou uma pessoa que amo minha profissão e o que eu faço. Mas amo minha família, claro, que vem em primeiro lugar. Eu sou muito realizada, eu tenho uma família que me apoia que me ajuda muito.
Minha filha se chama Ana e tem cinco anos. Minha mãe também se chama Ana e meu marido Elídio. Quando eu comecei a dar as aulas, aí eu comecei a me dedicar. A gente todo ano tirava férias pra conhecer uma cidade do nordeste e quando eu conheci, João Pessoa, eu me apaixonei. Eu acho a cidade linda, maravilhosa, adorei as pessoas de lá. Eu tinha acho que vinte anos e eu queria morar lá um dia. Quando eu terminei a faculdade, eu fui pra lá, passar férias com o meu pai. E uma colega minha, que já vinha dessa cidade, conseguiu um estágio pra mim. Em seguida, eu fiz o exame pra fazer o mestrado, passei no mestrado e fiquei. Eu disse ‘eu vou terminar o mestrado’. Minha família não queria me deixar sozinha. Eu tinha acabado de entrar no mestrado e consegui a bolsa. Então eu pensei, ‘eu termino o mestrado com a bolsa e volto’. Mas aí acabei ficando. Como eu adoro a cidade, eles é que foram morar lá, meu pai, minha mãe e minhas duas irmãs. Quer dizer, a família se desloca pra onde as filhas vão.
No nosso ambiente familiar, fomos muito influenciadas a ler, a escrever em casa. O meu pai lia muito, e eu tive essa vivência em casa, mas nunca como uma coisa forçada. Nunca precisou dos meus pais chegarem a falar: “Adriana vai lá estudar”, ou “deixa eu ver o seu caderno, pra ver se você fez a tarefa”. Pelo contrário, era sempre eu que ia mostrar o que eu tinha feito. Agora o ambiente era muito assim, gostoso, a gente sempre foi influenciado a estudar, a gostar de ler. Eu lia de tudo desde livro para criança, até as vezes eu pegava os livros mesmo dos meus pais de história. Eu chegava a ler até ‘As Sandálias do Pescador’. Tinha de tudo, Monteiro Lobato, tinha todas essas coisas. Lá em casa todo mundo sempre gostou muito de ler. Tinha muitos livros. Até hoje tem muitos livros lá em casa.
Uma característica minha, que é um defeito também, é  ser perfeccionista. Às vezes, eu demoro para fazer as coisas, porque eu quero entregar perfeito. Eu lembro que eu estava com uma folha cheinha e chegava no final. Se eu errava uma letra, eu apagava. Se não ficava direito, eu arrancava a folha todinha e passava tudo de novo, nem que eu tivesse que deixar de brincar e de fazer outras coisas. Então isso é uma coisa muito minha.
Eu sou professora do Departamento de Comunicação e Turismo da Universidade Federal da Paraíba e já atuei também na área de Comunicação como professora de rádio e televisão. Atuo também na área de turismo. Como sou professora, sou totalmente acadêmica. Antes de começar a dar aula eu vivi, eu trabalhei em empresa. Eu trabalhei numa empresa do Estado que era uma empresa lá da Paraíba mesmo, trabalhei na parte administrativa. Também trabalhei em São Paulo na parte de marketing. Eu sou formada em administração, que se chama gestão, aqui em Portugal.
Tenho o mestrado em gestão, em administração, na área de marketing. A minha dissertação foi sobre Marketing Turístico, especificamente, voltada para turismo. Eu fiz também um NBA em Realização, também na área de gestão e recursos humanos. A área empresarial voltada para o turismo.
Agora a minha tese é sobre isso: o cultivo do vinho, empresa e turismo.
Foto Adriana Brambilla (2)
Wlad Lima e Adriana Brambilla em entrevista na cidade de Aveiro
 

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Publicação digital do relatório final do estágio de pós-doutoramento em Estudos Culturais da Profª. Drª. Wlad Lima da ETDUFPA ICA UFPA junto a Universidade de Aveiro Portugal sob a supervisão da Profª. Drª. Maria Manuel Baptista. A realização dessa pesquisa cobre o período de maio de 2013 a outubro de 2014. Esse site está acoplado ao portal virtual do Programa Doutoral em Estudos Culturais das Universidades de Aveiro e Minho. Está disponível para todos os interessados, mantendo a política de copyleft de sua autora. Esse estágio teve o apoio da CAPES, através de bolsa pós-doc no exterior.