
Sou uma atriz, diretora e cenógrafa, com quase 53 anos de vida – nasci em 03 de dezembro de 1961. Comecei a fazer teatro em 1979. Já são muitos anos de trabalho, muitas aventuras e pouquíssimos choros e arrependimentos; talvez por isso, exista uma frasezinha que gosto muito de repetir porque penso que diz muito de mim, mais do que listar uma série de ofícios específicos que venho praticando. Gosto sempre de dizer: sou uma mulher de teatro!
E até muito pouco tempo atrás, acreditava que o fazer teatral era suficiente, bastava. Então, entrei com muita resistência nessa área da investigação. Naquela época – por volta de 2002 – resistência era parede, lutar contra, agora é atitude, iniciativa, decisão. Mas confesso, que todo esse universo da pesquisa, foi para mim, uma surpresa. Porque eu descobri, nessa área, um poder de criação, de invenção mesmo, igual a que eu sentia com o teatro, enquanto prática artística, sensação. Porque agora sei que a investigação também pode ser visto como invenção, processo de criação, produção de subjetivações e pesquisa-intervenção; assim passei a vê-la.
Como sou uma professora da Universidade Federal do Pará – uma funcionária pública da Educação no norte do Brasil, na Amazônia – sou obrigada a cumprir a lei da triangulação docente: ensino, pesquisa e extensão. Sempre sob a ameaça de ser avaliada pelo critério da produtividade; “Sacro critério” do pensamento mercadológico que invade as universidades brasileiras e pelos dezoito meses que vivi em Portugal, assola também as universidades daqui. Mas quem poderia escapar, impune, dessa realidade global? Quem resistirá?
Além de dar aulas, formar atores, professores de teatro, diretores e pesquisadores, também gosto de pesquisar umas coisas ligadas às histórias de vida, seus sentimentos para conhecer a concepção de mundo das pessoas, suas subjetivações e políticas cognitivas. Também gosto muito de inventar modas, quer dizer, inventar projetos, conceber espetáculos, pensar em grupo, colaborar em abrigos de criação (como os teatros de porão na minha cidade, Belém do Pará).
Meu sonho futuro, mas talvez não tão breve, é poder curtir os meninos que estão na minha vida – Frederico (25 anos) e João Pedro (5 anos) – e quem sabe, ler todos os livros que acumulei nesses anos todos. São livros lindos! Eu sei porque já saboreei muitos deles, mas falta tempo para devorar todo o resto. Quem sabe não estarei numa casa de praia ou então numa cidade megalópolis com grandes livrarias, para manter sempre renovado o meu estoque. São efeitos da descendência de livreiros. E sonhar com meninos e livros juntos, é tudo de bom!
Por falar em livros e gente, vou entrar na encenação do pensamento que acompanha esse ensaio, isto é, na composição de meu cenário teórico. Deixo aqui, um pouco de mim, não como identidade, mas sim, como uma rostidade que se comfigura em multidão, a cada instante.
Wlad,
Parabéns. Fiz um belo passeio de final de tarde nas linhas da tua subjetividade .
Obrigada mana velha!!!
Inês, um prazer enorme compartilhar meus escritos com você e todos os nossos parceiros de vocação.
Te mando um abração.